O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta sexta-feira (7.ago.2026) que, se eleito, enviará ao Congresso um projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro logo no primeiro dia de mandato. A declaração foi dada durante sabatina promovida pela GloboNews e pelo g1, conforme apurou o Poder360.
Segundo o ex-governador de Goiás, a medida teria o objetivo de "pacificar o país" e retirar o assunto do centro do debate político. Ele afirmou que a anistia estaria entre um conjunto de propostas a serem encaminhadas ao Legislativo assim que assumisse a Presidência, e argumentou que a concessão permitiria ao governo e ao Congresso concentrarem as discussões em outros temas.
Um pacote de propostas
De acordo com o candidato, a anistia integraria uma agenda mais ampla. Caiado citou intenções de apresentar reformas administrativa e política, mudanças na reforma tributária e uma revisão de pontos da Previdência, além de uma proposta ligada à legislação antiterrorismo. Ele disse que pretende trabalhar entre o fim de outubro e o início do mandato para deixar essas medidas prontas para envio ao Congresso.
Questionado se considera os atos de 8 de Janeiro uma tentativa de golpe de Estado, Caiado não respondeu de forma direta. O candidato comparou o episódio à anulação das condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que permitiu ao petista voltar a disputar eleições, e questionou os critérios adotados em cada caso.
Segurança pública e emendas
Caiado afirmou ainda que a anistia marcaria o encerramento desse período e que eventuais novos atos de depredação seriam tratados de outra forma em um governo seu. Ele citou episódios anteriores de depredação em Brasília e mencionou manifestações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ao argumentar que houve diferenças na resposta do Estado a distintos protestos.
Durante a sabatina, o candidato apresentou outras propostas na área de segurança. Defendeu a criação de uma força policial integrada entre o Brasil e os países vizinhos da América do Sul, para compartilhamento de inteligência e atuação de agentes, embora tenha reconhecido que ainda não discutiu a ideia com outros governos. Também voltou a defender que organizações como o PCC e o CV sejam classificadas como grupos terroristas e se declarou contrário ao uso de câmeras corporais por policiais.
Contas públicas
Na área econômica, Caiado defendeu redução de gastos públicos e reforma administrativa, sem detalhar quais despesas pretenderia cortar. Ele citou medidas de sua gestão em Goiás e afirmou que o equilíbrio fiscal não precisaria ocorrer às custas de programas sociais.
O candidato também disse que pretende limitar a destinação das emendas impositivas de deputados e senadores, defendendo que os recursos sejam direcionados prioritariamente para projetos definidos pelo governo federal. Ele voltou a associar suas propostas ao discurso de pacificação política, afirmando que quer governar e responder às expectativas da população.