O senador Flávio Bolsonaro voltou a constar como filiado ao Partido Liberal (PL) no sistema da Justiça Eleitoral na tarde desta quinta-feira (13/08), depois de seu nome ter aparecido, por razões ainda não esclarecidas, como filiado à sigla Missão. Com a correção, o registro de sua candidatura à Presidência, que havia sido impossibilitado pela informação incorreta, pode prosseguir. As informações foram divulgadas pela BBC News Brasil.
O que motivou a correção
A alteração foi determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, após o PL pedir que a Corte ordenasse a mudança e investigasse o ocorrido. Segundo o TSE, a filiação de Flávio ao Missão não resultou de hackeamento do sistema, mas de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações.
A advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, afirmou à GloboNews que houve alguma fraude, sem que ainda se saiba a origem. Ela relatou que a irregularidade foi percebida quando a equipe reunia os documentos para protocolar o pedido de registro. A advogada disse ainda possuir uma certidão de filiação de Flávio ao PL emitida às 23h17 de quarta-feira (12/8), o que indicaria que a alteração ocorreu depois desse horário.
As investigações
O TSE informou que uma investigação já está em andamento. O ministro Kassio Nunes Marques enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária. O prazo para os partidos registrarem seus candidatos vai até as 19h de sábado (15/8), etapa obrigatória para que um postulante possa concorrer.
O advogado eleitoral Alberto Rollo explicou à BBC News Brasil que cada partido possui uma senha para acessar o sistema e registrar filiações, e avaliou que parece ter havido uso indevido dessas credenciais. Segundo ele, um candidato não pode concorrer por um partido estando filiado a outro, e o TSE tem poder para apurar a origem da fraude.
As versões das partes
Em vídeo nas redes sociais, Flávio Bolsonaro comentou o episódio afirmando que "mais uma vez o sistema armou" para tentar derrubá-lo, e disse que a manobra não teria funcionado. O tom foi de reação política, associando o caso a uma tentativa de prejudicá-lo.
O partido Missão, criado no ano passado e que tem Renan Santos como candidato presidencial, negou envolvimento e afirmou ter sido vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta. A legenda disse que seu sistema tentou cancelar a filiação no mesmo dia, ação que teria sido rejeitada pelo TSE, e afirmou que colocou os fatos à disposição das autoridades, prometendo disponibilizar relatório com logs, e-mails e IPs. O partido informou ainda ter comunicado o gabinete do senador sobre a tentativa de filiação em 2 de agosto.
Em live no canal do partido, o deputado Kim Kataguiri afirmou que a filiação de Flávio ao Missão teria sido registrada informando como contato o e-mail institucional do senador no Senado, e classificou como "levianas" as insinuações de que o partido teria participado de fraude. Segundo as pesquisas eleitorais citadas pela BBC News Brasil, Flávio aparece como o candidato mais competitivo diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, enquanto Renan Santos aparece com percentuais de um dígito.