O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializa neste domingo (2/8), em convenção do partido em São Paulo, sua candidatura à reeleição. O rito, exigido pelo Código Eleitoral, marca o início formal de uma campanha que, segundo levantamentos, pode se transformar na disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização, conforme reportagem da BBC News Brasil.
A eleição volta a se organizar em torno da polarização entre petismo e bolsonarismo, agora representado pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Apesar das turbulências enfrentadas pelo adversário — dificuldades para formar alianças, o atrito com Michelle Bolsonaro e a associação de seu nome ao escândalo do Banco Master —, Lula ainda não conseguiu se firmar em um patamar confortável de intenções de voto.
O que dizem as pesquisas
Segundo levantamento do agregador PollingData para a BBC News Brasil, a distância entre os dois principais concorrentes num eventual segundo turno é a menor registrada em comparação com os mesmos períodos das eleições de 2002, 2006 e 2022. Na simulação atual, Lula aparece com 46% e Flávio Bolsonaro com 42%.
Nas disputas anteriores, no fim de julho, Lula costumava ter entre 49% e 50%, enquanto seus adversários oscilavam entre 38% e 39%. "Olhando para os dados, dá a impressão de que essa vai ser a disputa mais apertada da história", afirmou Neale El-Dash, fundador do PollingData, à BBC. Ele destaca que, em pleitos anteriores, Lula tinha vantagem de 11 a 12 pontos no mesmo período; agora, são 4 pontos.
El-Dash pondera, contudo, que a aprovação do presidente em exercício é um dos fatores mais determinantes para a reeleição. Segundo ele, a partir de 40% de aprovação, as chances de vitória se aproximam de 50%. A avaliação do governo Lula subiu pouco no ano, passando de 45% no início de fevereiro para 47% atualmente.
Pacote econômico e comparação com 2022
Em 2022, Jair Bolsonaro tinha 38% de aprovação no fim de julho e chegou a 45% em outubro após medidas como o aumento do Auxílio Brasil, a redução do ICMS e vouchers para caminhoneiros e taxistas — o chamado "pacote das bondades". Diante de cenário semelhante, o governo Lula tem adotado políticas para estimular a economia, como a redução do Imposto de Renda para a classe média, os programas Gás do Povo e Luz do Povo, linhas de crédito para entregadores e a reedição do Desenrola.
Segundo a reportagem, a convenção deste domingo deve ser protocolar. A campanha prioriza um comício em 16 de agosto no estádio Primeiro de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo — berço político de Lula e palco das greves do ABC entre 1979 e 1980. Uma fonte próxima à campanha descreveu o evento como a "última dança" do presidente, de 80 anos, que disputa sua sétima eleição. A data coincidia com o primeiro debate da Band, que acabou remarcado para 23 de agosto; Lula, líder nas pesquisas, não deve participar dos debates televisivos.
O voto feminino como fator decisivo
Assim como em 2022, o eleitorado feminino deve ter peso central. Segundo Luciana Chong, diretora do Datafolha, 45% das mulheres não citam nenhum nome na pesquisa espontânea atualmente, contra 31% no mesmo período de 2022. No total do eleitorado, o índice de indecisão é de 37%, ante 25% há três anos.
A análise do Datafolha aponta que Lula tem vantagem entre as mulheres mais jovens (16 a 34 anos) e entre as com mais de 45 anos, mas perde na faixa de 35 a 44 anos — chamada por Chong de "geração lava-jato", marcada pela exposição a notícias de corrupção. Tanto Chong quanto El-Dash ressalvam que as simulações de segundo turno não são previsões definitivas e refletem, em parte, o antilulismo mais do que um favoritismo específico. "Se Lula não conseguir subir essa aprovação, talvez de fato seja a eleição mais disputada da história", resumiu El-Dash.