A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros passou a valer nesta quarta-feira (22.jul.2026). Anunciada pela gestão de Donald Trump (Partido Republicano) na semana passada, a medida atinge cerca de 3.000 itens e é cobrada dos importadores norte-americanos no momento da entrada das mercadorias em território dos EUA, segundo apuração do Poder360.

O que muda para as exportações

Uma parte relevante da pauta exportadora foi preservada da nova taxação. Entre os itens fora da cobrança adicional estão petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio. Por outro lado, produtos como máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns itens de alumínio passam a arcar com a sobretaxa.

Base da decisão americana

A medida é resultado de uma investigação do USTR (Representante de Comércio dos Estados Unidos), amparada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. No relatório, o órgão fez críticas a políticas brasileiras relacionadas ao Pix, à regulação de plataformas digitais, a acordos comerciais, ao desmatamento, ao etanol, à propriedade intelectual e ao combate à corrupção. Algumas medidas adotadas pelo Brasil foram classificadas pelo USTR como "irracionais" ou "restritivas" ao comércio bilateral.

Reação do governo brasileiro

O governo brasileiro classificou a decisão como um "marco lastimável" e afirmou que acionará a Lei da Reciprocidade Econômica, embora ainda não tenha detalhado medidas práticas. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) descreveu a tarifa como "injusta e descabida".

Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que "não cabe falar em retaliação" neste momento. A avaliação no Palácio do Planalto é de manter o canal de negociação diplomática aberto e evitar uma escalada comercial com Washington.

Medidas de mitigação e novo risco

Para reduzir os efeitos da tarifa sobre os setores atingidos, o governo prepara ações que incluem linhas de crédito para empresas afetadas e iniciativas de diversificação de mercados por meio da ApexBrasil. O objetivo é buscar novos destinos para as exportações e amortecer o impacto imediato sobre a indústria e o agronegócio.

Há ainda um risco adicional no horizonte. Segundo a apuração, existe a possibilidade de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, decorrente de uma investigação sobre importações ligadas a trabalho forçado. Caso essa cobrança seja aplicada, o total poderia alcançar 37,5%, ampliando a pressão sobre as relações comerciais entre os dois países.